Da Animalidade Ao Ser Social:
A Fantástica caminhada do Homem
Uma Reflexão Teórico-Metodológica
Tributo ao pensador José Chasin
Foi no início dos anos 90, depois da eleição para o primeiro presidente civil, após um longo período de exceção, realizando assim a chamada transição democrática; logo após a queda do muro de Berlim (1989), que tive a oportunidade de participar de um debate apresentado pelo professor J. Chasin[1], sobre a grande crise que assolava a humanidade. No calor desse embate a grande questão era saber como continuar construindo a humanidade na medida em que ela estava atravessando uma profunda crise, e como continuar a desenvolver o pensamento para apreender e analisar a realidade usando como instrumento a concepção marxiana.
A questão exposta era a de que a humanidade
estava naquele final do século XX diante de dilemas que sintetizavam a
perspectiva do humano e, por isso a questão fundamental do pensamento de Marx
vinha à tona: saber como é que se dá a constituição do homem a partir da
animalidade. Questão que se tornara mais crucial e grave, dizia o professor,
porque ocorria sem a consciência da esmagadora maioria dos afiliados a seu
pensamento. Para ele era esta problemática que encerrava precisamente o grande
desafio a ser enfrentado, e precisava ser levado em conta pelo fato de que foi
em torno desta questão que Marx viveu e dedicou em toda a sua existência. É na
Ideologia Alemã que esta questão está colocada com clareza, quando Marx afirma:
"Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião ou
por tudo que se queira. Mas eles próprios começam a diferenciar-se dos animais
tão logo começam a produzir os seus meios de vida, passo este que é condicionado
por sua organização corporal. Produzindo seus meios de vida, os homens produzem, indiretamente, sua
própria vida material"[1].
Este é o problema central de todo o pensamento marxiano.
Para o professor Chasin, o século XX tomou, de forma unilateralizada e aberrante, parcelas discursivas do pensamento de Marx e o converteu, acima de tudo, num autor político. E a partir do momento em que se converte esse pensador meramente num autor político, ele escorre entre os dedos e o seu pensamento se perde. Mas isso não aconteceu simplesmente pelo fato de que ele tenha sido mal-entendido, mas sim, porque ocorreram even- tos de realidade que forçaram nesta direção. E o resultado desse processo foi uma dupla falência: primeiro, as falências teóricas intelectual e espiritual consubstanciadas na perda da herança marxiana. Nada é mais ignorado, no mundo contemporâneo, do que o pensamento de Marx. E ele é celebrado como um cadáver, nacionalmente, na academia e na imprensa, em termos de consciência, de ideação e em teoria, na medida em que é a celebração de um pseudo Marx; por isso é importante que tenha morrido. Afirma que o marxismo vulgar morreu naquele momento histórico e foi sendo enterrado pela Perestroika e Glasnost e pelas equivalências dessas iniciativas, no conjunto do leste europeu.
[1] MARX, K. A Ideologia Alemã - 6ª edição: Editora HUCITEC. São Paulo, 1987.
[1] J. CHASIN - Doutor em Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais que, no período de 16 a 19 de abril de 1990, apresentou na Universidade Federal de Alagoas o seu texto: "A SUCESSÃO NA CRISE E A CRISE NA ESQUERDA", publicado na Revista ENSAIO, número 18/19, São Paulo, 1989.

Autora
Ivanilde Morais de Gusmão
Edição - Versão Eletrônica
Letras Graciosas Editora - Portugal
Projeto gráfico editorial
Lourdes Duarte
Revisão
Conceição Rodrigues
Diagramação eletrônica
Luciana Sala
Capa
Jurandyr Silva
ISBN Ebook
978-989-9076-06-8

